Ver uma imagem como essa, causa em qualquer um, nem que seja por um milésimo de segundo, um sentimento que não pode ser explicado e nem compreendido. Sentimento este que dentro da semiótica (ciência geral dos signos e semiose) é conhecido pelo termo denominado primeiridade.
Esse termo veio graças à Charles Sanders Peirce, que junto com outros dois (secundidade e terceiridade), descreveu três categorias universais de toda a experiência e pensamento. Peirce considerou tudo aquilo que exerce força sobre nós, aquilo que impõe-se ao nosso reconhecimento e conclui que tudo aquilo que surge em nossa consciência é graduado na forma de três propriedades, que por sua vez correspondem aos três elementos formais de toda e qualquer experiência. E foram com fins científicos que os termos foram fixados na terminologia de Primeiridade, Secundidade e Terceiridade.
Tentanto explicar melhor…
Aquele momentinho que caracteriza a Primeiridade é um momento de qualidade da consciência imediata, é invisível, completamente frágil, pois assim que você o nota, ou o nomeia ele já se perde e por tudo isso não pode ser analisado. É um sentimento como qualidade, ele dá sabor à consciência imediata, é o original, é espontâneo e livre. É um fração de segundo, onde você “perde” a consciência e por um instante vive um momento único.
Bom, se o primeiro momento é aquele que sentimos, o segundo momento (a Secundidade) é o momento que reagimos. É aquela hora que acontece a corporificação material, é quando eu, você ou qualquer um, lê ou sente as coisas compreendendo-as com profundidade seu conteúdo.
Já a Terceiridade é a camada do inteligível, isto é, pensamento em signos, pela qual o mundo é interpretado e representado por nós. É o momento em que o sujeito une, seja um texto, uma imagem, uma música, à sua experiência de vida, fornecendo um contexto pessoal. Momento de racionalidade do homem.
Sendo assim, a semiótica é uma ótima ferramenta para que possamos (ao menos tentar) explicar sentimentos que surgem dentro de nós em determinados momentos durante toda nossa existência.
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Ana Carolina Macieira Fleury Novaes
